Coisa sériaMarch 23, 2006 11:35 am

Ontem foi o World Water Day. O que vocês fizeram pela Água recentemente?

S.O.S., Coisa sériaMarch 3, 2006 3:52 pm

A distância entre isso

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e isso

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é bem pequena, infelizmente.

Dentro de pouco mais de 20 dias vai começar a caça anual à foca no Canadá - é a maior matança de mamíferos marinhos do planeta. Todos os anos centenas de milhares de animais são abatidos, em sua maioria filhotes. No ano passado 98.5% das focas mortas tinham dois meses de vida ou menos. Quase metade dos animais é esfolada viva, consciente e capaz de sentir dor.
Indignados? Cliquem aqui, aqui e aqui.

Virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem.
- Leonardo da Vinci

Divagações, Coisa sériaNovember 26, 2005 3:25 am

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“The things you own, they end up owning you.”

Essa citação é do filme Fight Club, excelente para o tema que venho levantando. A Mi escreveu no blog dela sobre suas dúvidas e idéias a respeito do Buy Nothing Day e foi, ao meu ver, muito pertinente. Eu entendo que a proposta não esteja muito clara nos sites disponíveis e que a criação de lojinhas e camisetas do evento é, no mínimo, contraditória, mas são as contradições do capitalismo – ou pelo menos á assim que eu vejo a coisa. A proposta do Buy Nothing Day (idéia do canadense Ted Dave, que começou como uma manifestação local em 1992) é justamente no momento em que as pessoas mais compram e consomem (Thanks Giving na América do Norte e início da temporada natalina), fazer uma pausa para refletirmos sobre o consumo. E como é possível praticar o consumo consciente?

“Advertisements have them chasing cars and clothes, working jobs they hate so they can buy shit they don’t need. We are the middle children of history, with no purpose or place. We have no Great War, or great depression. The great war is a spiritual war. The great depression is our lives. We were raised by television to believe that we’d be millionaires and movie gods and rock stars — but we won’t.”

Outra citação do Fight Club. Nós crescemos ouvindo que precisamos desse chiclete para beijar pessoas bonitas, que precisamos daquele cigarro para ser livres, que só com aquele carro poderemos nos destacar. A propaganda cria necessidades artificiais que elevam nossas expectativas matérias a um patamar praticamente inalcançável. Não seremos milionários nem dirigiremos carrões, mas por aceitarmos esses sonhos como padrão, passamos a vida inteira trabalhando feito loucos para realizá-los. E, se por sorte ou esforço, os realizamos – seremos realizados e plenos? A primeira pergunta para um consumo consciente é: por que eu compro isto? Preciso desse chiclete para melhorar o meu hálito, para prevenir as cáries, para saciar a minha vontade de comer… ou eu preciso dele porque, no fundo, é um beijo que eu desejo? Eu compro roupas para suprir minhas necessidades básicas (e uma ou outra estética já que ninguém é de ferro) ou eu corro pelos shoppings comprando porque preciso disso para me sentir bela e querida?

“Jack: You buy furniture. You tell yourself: this is the last sofa I’ll ever need. No matter what else happens, I’ve got the sofa issue handled. Then, the right set of dishes. The right dinette.
Tyler: This is how we fill up our lives.”

Preencher nosso vazio com produtos é a grande ilusão capitalista. Se você acredita que através do que consome irá se satisfazer passa a viver em função do consumir. Esse é o primeiro e principal ponto do Buy Nothing Day: questionar até que ponto o consumo rege as nossas vidas. Claro que numa economia como a nossa é impossível não consumir, a todo o momento compramos coisas, pagamos coisas, faz parte do nosso modo de vida. É preciso, no entanto, ver além do que se compra. Reduzir nossas necessidades matérias, por exemplo, ameniza (e muito) o impacto sofrido pelo meio ambiente. Estamos nos portando como um câncer no planeta: destruímos, degradamos, desmatamos, desperdiçamos. Quando todos os recursos naturais tiverem se esgotado, o que consumiremos? Dar prioridade a produtos reciclados, por exemplo, é uma atitude bem simples e eficiente. Escolher marcas menores ao invés de comprar das grandes corporações (maiores responsáveis pela exploração da mão de obra dos países menos desenvolvidos) é outra atitude de fácil realização. Reutilizar antes de jogar fora, não comprar aquilo que não é realmente necessário… tudo muito simples, de verdade. A proposta não é alcançar um resultado econômico, como quando boicotamos um produto específico, mas sim chamar atenção para o fato de que é preciso se pensar o consumir. Aqui estão alguns números que merecem (e precisam) ser pensados:

- 20% da população mundial consomem 86% dos recursos do planeta.
- Os japoneses usam 30 milhões de câmeras descartáveis anualmente.
- Os nortes americanos descartam 350 milhões de embalagens de spray aerossol todos os anos.
- Todo ano a Nova Zelândia produz 3.5 milhões de toneladas de lixo, uma média de 2.1 quilos diários por pessoa.
- Os trabalhadores da Nike no Vietnam recebem em média 22 centavos de dólar por hora trabalhada. O total pago pela empresa ao Michael Jordan e ao Tiger Woods no ano de 1996 (mais de 55 milhões de dólares para cada um) era três vezes maior do que a soma dos salários de todos os trabalhadores vietnamitas responsáveis pela fabricação de calçados e roupas.
- Dois terços do comércio mundial estão concentrados nas mãos de apenas 500 empresas, das quais 50 são multinacionais. As dez maiores multinacionais possuem uma renda total maior do que a dos 100 países mais pobres do mundo.
- A ONU estima que custaria cerca de 40 bilhões de dólares para garantir água, educação, moradia e assistência médica básica à toda a população mundial. O mundo gasta quase o dobro desse valor em golfe todos os anos.

Mundo louco esse.

“He who is not contented with what he has, would not be contented with what he would like to have.”

Essa última citação podia muito bem ter saído da boca do Tyler Durden, mas foi o bom e velho Sócrates (o filósofo, não o jogador de futebol) que nos presenteou com ela. Ele bem que sabia das coisas…

Coisa sériaNovember 9, 2005 5:18 pm

1. Encontre com alguns amigos e jogue conversa fora.
2. Pratique algum esporte ao ar livre.
3. Cante no chuveiro.
4. Aprenda a falar “Obrigada” em todas as línguas.
5. Pinte o seu cabelo.
6. Escreva uma carta para alguém que ama.
7. Ande na chuva.
8. Decore um poema.
9. Cozinhe para os seus amigos.
10. Pare de fumar.
11. Pratique Tai Chi Chuan em público.
12. Ouça o seu CD preferido.
13. Lave as janelas.
14. Telefone para a sua família e diga que sente saudades.
15. Desligue o celular por algumas horas.

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A luta não é contra o consumo e sim pelo consumo consciente.

[continua…]

Coisa sériaNovember 4, 2005 12:16 pm

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Por que tantas pessoas ao redor do mundo estão falando em consumir menos? Bem, pra começar, se todas as pessoas do mundo consumissem como o fazem os habitantes dos países desenvolvidos seriam necessários três planetas Terra como fonte de recursos naturais.

Um relatório da ONU de 1998 concluiu que uma criança em um país desenvolvido irá consumir, desperdiçar e poluir o equivalente a mais de 50 crianças em países em desenvolvimento.

Por uma questão de justiça, percebe-se que os países menos desenvolvidos teriam direito a consumir tanto quanto os países desenvolvidos - mas isto é ecologicamente inviável. O problema está, portanto, no excesso de consumo por parte dos países mais ricos.

Na Agenda 21, elaborada durante a cúpula Rio 92, está dito:


“Enquanto a pobreza tem como resultado determinados tipos de pressão ambiental, as principais causas da deterioração ininterrupta do meio ambiente mundial são os padrões insustentáveis de consumo e produção, especialmente nos países industrializados. Motivo de séria preocupação, tais padrões de consumo e produção provocam o agravamento da pobreza e dos desequilíbrios. […] Embora em determinadas partes do mundo os padrões de consumo sejam muito altos, as necessidades básicas do consumidor de um amplo segmento da humanidade não estão sendo atendidas. Isso se traduz em demanda excessiva e estilos de vida insustentáveis nos segmentos mais ricos, que exercem imensas pressões sobre o meio ambiente. Enquanto isso os segmentos mais pobres não têm condições de ser atendidos em suas necessidades de alimentação, saúde, moradia e educação. A mudança dos padrões de consumo exigirá uma estratégia multifacetada centrada na demanda, no atendimento das necessidades básicas dos pobres e na redução do desperdício e do uso de recursos finitos no processo de produção.”

A sustentabilidade tem sido a meta máxima dos últimos anos, mas atingi-la não é fácil - principalmente por causa da pressão exercida pelo mercado.

Além de criar um planeta mais limpo e justo a redução do consumo permite uma maior reflexão sobre o que é de fato essencial e o que proporciona a verdadeira satisfação pessoal.

O Buy Nothing Day desafia a ilusão criada pela propaganda: que através do consumo é possível alcançar a felicidade.

A propaganda cria necessidades artificiais que elevam o padrão de consumo e mantém as pessoas presas a um ciclo sem fim de gastos e busca por novas aquisições. Libertar-se desse ciclo consumista é o objetivo máximo do Buy Nothing Day.

Não se trata de parar de comprar tudo/para sempre e sim de se discutir o porquê de comprar e os impactos que as nossas compras exercem no mundo. A luta é por educar um consumidor consciente que irá, por entender sua responsabilidade, reduzir o desperdício e a desigualdade na distribuição de recursos.

Além disso, problemas como o trabalho semi-escravo em países pobres e a exploração de crianças estão diretamente ligados ao modo de produção das grandes marcas. Tomando as rédeas do consumo em nossas mãos, passamos a ter poder para lutar contra esse tipo de exploração - que só enriquece um pequeno grupo da elite capitalista enquanto desestabiliza e poda economias em desenvolvimento.

Num mundo regido pelas leis de mercado, o consumidor consciente é o único que pode provocar mudança. Por isso, uma vez por ano, o mundo para de comprar - é um grito de liberdade e um sinal de que ainda há vida inteligente por trás dos cartões de crédito.

O Buy Nothing Day desse ano será celebrado nos dias 25 (Américas, Oceania e Israel) e 26 (Europa, Ásia e África) de Novembro.

[continua…]

Coisa sériaOctober 28, 2005 11:29 am

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Coisa sériaOctober 20, 2005 7:54 pm

Gun-Happy Brazil Hotly Debates a Nationwide Ban

By LARRY ROHTER
Published: October 20, 2005
RIO DE JANEIRO, Oct. 14 - Brazilians have a startling propensity to shoot each other.

With about 180 million people living here, nearly 40,000 were killed by firearms in 2003. That is almost four times the number in the United States, whose population is larger by more than 100 million people. Brazil’s cities are growing more violent and dangerous, crime is rising and gangs often have more firepower than the police now.

But a government plan for a complete nationwide ban on guns has generated an impassioned civic debate of a kind rarely seen here.

On Oct. 23, Latin America’s biggest country will vote in a referendum that asks a single direct question, “Should the commerce of arms and ammunition be prohibited in Brazil?” While other countries have banned guns, supporters of both the yes and no positions here say that this is the first time anywhere in the world that the electorate is being called on to decide the issue.

The vote, in which participation is obligatory (shirkers will be fined), is meant to ratify a highly restrictive gun control law that went into effect at the end of 2003, which has made it extremely difficult for ordinary citizens to legally buy, sell or own guns and ammunition. That legislation’s phased application called for this referendum to decide on an all-but-total limit.

Proponents of the ban, bolstered by a letter of support from several Nobel Peace Prize winners, say this is Brazil’s chance to vote for a safer society. “This is not Switzerland or England or even the United States, this is the country that kills with firearms more than any in the world,” said Rubem Cesar Fernandes, the director of Viva Rio, a civic organization that has championed the ban. “We’re experiencing an epidemic, a plague, and radical steps are required to control the spread and irresponsible use of firearms.”

Opponents of the ban, including groups that describe themselves as allies of the National Rifle Association, say it would only embolden criminals. “Once bandits know with certainty that law-abiding citizens no longer have guns in their homes, that they can go in without fear, then God help the Brazilian family,” said Alberto Fraga, a member of Congress who is president of the Parliamentary Front for the Right to Legitimate Defense.

Nearly 80 percent of the weapons manufactured in Brazil, which has the second largest arms industry in the Western Hemisphere, are exported, mostly to neighboring countries like Paraguay and Colombia. Many are then smuggled back into the country. Other guns used to commit crimes come from police and military arsenals, either stolen or sold by corrupt soldiers and officers.

“If approved, this measure is not going to affect criminals, but will only prevent ordinary citizens from defending themselves,” said Mr. Fraga, a former police commander. “Criminals don’t go to the store to buy their guns, they get them clandestinely through networks of contraband, which are only going to grow if the yes wins” because ordinary citizens will also have to turn to them.

In 2004, the first full year of the gun restrictions, the number of killings attributed to gunfire declined just over 8 percent, according to official statistics. Proponents of the ban attribute the drop to the new restrictions, while opponents point to factors like the hiring of more police officers and better equipment for them.

Meanwhile, more than 450,000 weapons, ranging from handguns and rifles to mortars, have been collected during an official campaign offering cash for arms, though Walter Merling of the Brazilian Association of Gun Collectors dismissed the significance of the effort by saying that “90 percent of what was turned in was useless old junk.”

With the ban’s proponents and opponents accusing one another of distorting statistics and sowing alarmism, both sides have been waging an intense media campaign that includes televised round tables and advertisements. The opponents have even hired airplanes to fly over Rio’s beaches with a banner reading: “Disarmament is good for criminals. Wake up Brazil, and vote no.”

In addition, paralyzed shooting victims have testified on behalf of both the camps. The views of celebrities are displayed on billboards and in commercials. Opponents of the gun ban have challenged the legislation in court and are awaiting a Supreme Court ruling. If the ban is approved, they expect to file new complaints about additional restrictions on the ownership of guns and the sale of ammunition, which, with gun stores closed, will be available only from the military or the police through cumbersome procedures.

While support for the ban once seemed strong, both sides now agree that the race is tight, and the outcome is uncertain.

“We’re still ahead, but our curve is dropping and they are gaining,” said Mr. Fernandes of Viva Rio. “They’ve been stronger than I thought they would be, and their strategy is much more efficient than ours.”

One deterrent is that the statute that went into effect at the end of 2003 was supposed to be accompanied by other measures to enhance public security. But President Luiz Inácio Lula da Silva has instead made cuts in the budget and, distracted by the worst corruption scandal in modern Brazilian history, has not managed even to spend all of the reduced amount that is available.

“Middle-class voters are terrified because they don’t see the investment being made in public security,” said Raul Jungmann, a member of Congress who is the leader of the yes coalition. “That makes our task much harder.”

In addition, the corruption scandal has created an environment in which, to the extent that Brazilians can be persuaded to shift their attention away from the scandal, they are disenchanted with the authorities and are seeking ways to express that sentiment. “Voting no has become a protest against everything that is going on, as if we were the government,” Mr. Fernandes said.

… E a Anistia Internacional fez campanha pelo Sim.