
Por que tantas pessoas ao redor do mundo estão falando em consumir menos? Bem, pra começar, se todas as pessoas do mundo consumissem como o fazem os habitantes dos países desenvolvidos seriam necessários três planetas Terra como fonte de recursos naturais.
Um relatório da ONU de 1998 concluiu que uma criança em um país desenvolvido irá consumir, desperdiçar e poluir o equivalente a mais de 50 crianças em países em desenvolvimento.
Por uma questão de justiça, percebe-se que os países menos desenvolvidos teriam direito a consumir tanto quanto os países desenvolvidos - mas isto é ecologicamente inviável. O problema está, portanto, no excesso de consumo por parte dos países mais ricos.
Na Agenda 21, elaborada durante a cúpula Rio 92, está dito:
“Enquanto a pobreza tem como resultado determinados tipos de pressão ambiental, as principais causas da deterioração ininterrupta do meio ambiente mundial são os padrões insustentáveis de consumo e produção, especialmente nos países industrializados. Motivo de séria preocupação, tais padrões de consumo e produção provocam o agravamento da pobreza e dos desequilíbrios. […] Embora em determinadas partes do mundo os padrões de consumo sejam muito altos, as necessidades básicas do consumidor de um amplo segmento da humanidade não estão sendo atendidas. Isso se traduz em demanda excessiva e estilos de vida insustentáveis nos segmentos mais ricos, que exercem imensas pressões sobre o meio ambiente. Enquanto isso os segmentos mais pobres não têm condições de ser atendidos em suas necessidades de alimentação, saúde, moradia e educação. A mudança dos padrões de consumo exigirá uma estratégia multifacetada centrada na demanda, no atendimento das necessidades básicas dos pobres e na redução do desperdício e do uso de recursos finitos no processo de produção.”
A sustentabilidade tem sido a meta máxima dos últimos anos, mas atingi-la não é fácil - principalmente por causa da pressão exercida pelo mercado.
Além de criar um planeta mais limpo e justo a redução do consumo permite uma maior reflexão sobre o que é de fato essencial e o que proporciona a verdadeira satisfação pessoal.
O Buy Nothing Day desafia a ilusão criada pela propaganda: que através do consumo é possível alcançar a felicidade.
A propaganda cria necessidades artificiais que elevam o padrão de consumo e mantém as pessoas presas a um ciclo sem fim de gastos e busca por novas aquisições. Libertar-se desse ciclo consumista é o objetivo máximo do Buy Nothing Day.
Não se trata de parar de comprar tudo/para sempre e sim de se discutir o porquê de comprar e os impactos que as nossas compras exercem no mundo. A luta é por educar um consumidor consciente que irá, por entender sua responsabilidade, reduzir o desperdício e a desigualdade na distribuição de recursos.
Além disso, problemas como o trabalho semi-escravo em países pobres e a exploração de crianças estão diretamente ligados ao modo de produção das grandes marcas. Tomando as rédeas do consumo em nossas mãos, passamos a ter poder para lutar contra esse tipo de exploração - que só enriquece um pequeno grupo da elite capitalista enquanto desestabiliza e poda economias em desenvolvimento.
Num mundo regido pelas leis de mercado, o consumidor consciente é o único que pode provocar mudança. Por isso, uma vez por ano, o mundo para de comprar - é um grito de liberdade e um sinal de que ainda há vida inteligente por trás dos cartões de crédito.
O Buy Nothing Day desse ano será celebrado nos dias 25 (Américas, Oceania e Israel) e 26 (Europa, Ásia e África) de Novembro.
[continua…]
Oi Anna; Aqui na América do Norte eles consomem demais. As casas aqui tem basement, qu ficam lotados de porcarias e as garagens, onde deveriam ficar os carros, vira depósito. Acho que é por isso que tem garage sale todo ano. Outro dia num única garage sale estava sendo vendido 7 carrinhos de compra diferentes.
Será que o Buy Nothing Day terá sucesso ? bjs,
Comment by Monique — November 4, 2005 @ 1:32 pm
Acho q a classe média do Brasil tá tão ruim quanto os mais podres de rico no resto do mundo. O pior é que aqui a gente vê pobreza por todo lado o tempo todo.. isso deveria deixar a gente mais sensibilizado. Mas infelizmente, não vejo isso acontecer não.
Ps: acho que esse buy nothing day é um boicote dos meus familiares para não precisarem me dar presente de aniversário (que é dia 26… ahahah) Brincadeeeeira…
Comment by Babi — November 4, 2005 @ 2:36 pm
Oi Aninha! Brigadão pelo comentens! Gostei muito desses post, nunca tinha pensado nos bens de consumo por esse ponte de vista. E realmente quanto mais se tem, mais se quer comprar, e gastar. Coisas que antes não eram assim !tão necessárias”, hoje passaram a ser essenciais e ninguem sabe bem porquÊ.
Se calhar, as propragandas criando necessidades, ajudam muitooo.
E aquela historia, se bens materiais comprassem mesmo a felicidade, não haveria tanto rico por aí se metendo em drogas, se matando, em depressão e etc, coisas que a gente houve todos os dias por aí!
Um beijão e bom fim de semana!
Comment by Priscila — November 4, 2005 @ 3:45 pm
oi
vc chegou a ler a entrevista do Shinyashiki para a revista isto e? A Cora colou la no blog dela. Da uma lida. Na ultima parte da entrevista, ele diz o seguinte:
“Shinyashiki — A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz”. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis.”
Ahhh, mais uma coisa. Gostaria muito de ler o livro “as veias abertas…”. vc sabe se consigo encontra-lo aqui na alemanha?
Bj
Comment by ana — November 5, 2005 @ 12:16 pm
Vou ter que abrir uma exceção para comprar o meu almoço, he he he.
Comment by Leila — November 5, 2005 @ 7:31 pm
que interessante..nunca tinha ouvido falar sobre esse dia. o logo da campanha parece com a minha tatuagem das costas haha =) mas o que eu nao entendi, é o que é consumo nesse caso…comida, e coisas essenciais estao incluidas?! ou so os “extras” como eletronicos e roupas?! Acho dificil parar o consumo atual, ate pq muitas das coisas vem pra facilitar realmente a vida da gente. Claro que existe “lixo” no meio dos novos produtos e acho que isso que deveriamos eliminar…mas no sistema economico atual, se o consumo cair, os paises vao por agua abaixo. Tem que se achar uma nova atividade mundial…explorar continentes ja foi, agora é o consumo…qual sera a proxima?! bjs!
Comment by Mi — November 7, 2005 @ 1:01 pm
Não sei se vou poder participar - vou estar passeando em Amsterdam no dia 26. É um pouco demais querer que eu não consuma nada em uma viagem…
Comment by Nicole — November 7, 2005 @ 2:30 pm
uau , que post 100000000!!! adorei. uma super semana pra vcs!!!
Comment by lu olhosdemar — November 27, 2005 @ 10:07 pm